No auge, Macau teve 42 cassinos. A maior concentração estava no distrito de ZAPE, e o número era mais do que uma curiosidade turística: era a prova física de um modelo.

Muitos daqueles cassinos não pertenciam às concessionárias. Funcionavam como "satélites" — operados por terceiros dentro de prédios de terceiros, sob a licença de uma concessionária. Um arranjo jurídico que funcionou por décadas e que a nova lei do jogo, de 2022, decidiu encerrar.

A lei deu três anos de transição. O prazo terminou em 31 de dezembro de 2025.

Quem fechou o quê

O governo de Macau recebeu comunicação formal da SJM Resorts, da Melco Resorts e da Galaxy Casino de que encerrariam a exploração de onze cassinos-satélite antes do fim do prazo.

A lista:

SJM Resorts: Casino Grandview, Casino Legend Palace, Casino Fortuna, Casino Landmark, Casino Ponte 16, Casino Le Royal Arc, Casino Emperor Palace, Casino Kam Pek Paradise e Casino Casa Real.

Melco Resorts: Casino Grand Dragon.

Galaxy Casino: Casino Waldo.

Sobrou um. O Casino L'Arc, originalmente de Angela Leong, foi adquirido pela SJM e continuou operando como cassino operado diretamente.

O governo exigiu que as três concessionárias fizessem a colocação adequada dos trabalhadores afetados e acompanhasse de perto a situação. Era a parte que dava para resolver. A outra não dava.

O problema dos prédios

Aqui a história fica interessante, e é onde o caso de Macau deixa de ser sobre jogo e passa a ser sobre urbanismo.

Um cassino não é um galpão com mesas dentro. O imóvel foi construído com rotas de fuga dimensionadas para grande público, sistema de incêndio específico, áreas de fumantes com ventilação própria e layout aprovado para casa de jogo.

Para virar restaurante, loja ou escritório, é preciso refazer o projeto, reformar e pedir ao governo a mudança de uso do solo e o deslacramento do imóvel.

Resultado: a maioria dos cassinos-satélite fechados em 2025 continua fechada. Sem placa, sem obra, sem prazo.

O precedente que ninguém cita

Não é a primeira vez. O Casino Babylon, no Fisherman's Wharf, suspendeu as atividades na pandemia e nunca reabriu. Está lá até hoje.

Isso diz algo importante sobre o setor: fechar é rápido. Reocupar é lento. E quando o imóvel não pode ser reaproveitado, o custo do fechamento não é só o emprego perdido — é o quarteirão inteiro que perde movimento.

O que isso tem a ver com o Brasil

Tecnicamente, nada: o Brasil não tem cassino físico legalizado. Politicamente, muita coisa.

Aqui, 188 sites saíram do ar em uma semana e 3.500 pessoas foram demitidas em duas. Não há prédio lacrado, mas há o equivalente funcional: escritórios de call center vazios em Curitiba, agências de marketing sem cliente, contratos de patrocínio suspensos em 14 camisas da Série A.

O padrão é o mesmo em qualquer lugar do mundo. Uma decisão política desmonta uma estrutura em dias. A estrutura leva anos para virar outra coisa — e as pessoas que dependiam dela, mais tempo ainda.

O que a imprensa local chama de "transformação"

Publicações do setor em Macau descrevem o processo como "transformação" dos antigos cassinos. A palavra sugere movimento. A realidade, segundo relatos de proprietários e operadores, é mais próxima de espera: primeiro a mudança de destinação do terreno, depois a reforma, depois a aprovação, depois a reabertura.

Enquanto isso, os imóveis seguem como estavam no último dia de operação. Alguns com o aviso na porta orientando clientes a resgatar fichas e saldos em outro endereço.

O que é um cassino-satélite?

Um cassino operado por terceiros dentro de um imóvel de terceiros, sob a licença de uma concessionária. O modelo foi encerrado pela Lei do Jogo de Macau, de 2022.

Quantos fecharam?

Onze, por decisão da SJM Resorts, da Melco Resorts e da Galaxy Casino. O prazo de transição terminou em 31 de dezembro de 2025.

Por que os prédios não são reaproveitados?

Porque a destinação do terreno é cassino. Para virar outro tipo de comércio, é preciso mudança de uso do solo, reforma e deslacramento — processo que leva anos.

Quantos cassinos Macau já teve?

42 no auge. Após a pandemia e a nova lei, restou um número bem menor, todos em imóveis próprios das concessionárias.

O que acontece com os trabalhadores?

O governo exigiu a colocação adequada dos afetados e acompanha a situação. Não há dados públicos consolidados de recolocação.