Não é uma pessoa. É o país. Em 2025, os brasileiros movimentaram cerca de R$ 220 bilhões em casas de apostas, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas. A movimentação diária chegou a aproximadamente R$ 600 milhões.
Para colocar em perspectiva: o Bolsa Família inteiro, no mesmo período, custou menos.
O número que importa não é o que entrou
Movimentação não é prejuízo. Se você aposta R$ 100 e recebe R$ 90 de volta, movimentou R$ 100 e perdeu R$ 10.
Por isso o dado mais interessante não é o do volume. É o do Comsefaz, o comitê dos secretários de Fazenda dos estados. Em agosto, ele publicou um estudo estimando que as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025. A saída líquida média entre outubro de 2024 e março de 2026 ficou em R$ 4,7 bilhões por mês.
De onde o governo tirava dinheiro
A taxação das casas de apostas rendeu R$ 15,3 bilhões ao governo federal desde o início de 2025. Sendo R$ 8,94 bilhões em 2025 e R$ 6,32 bilhões só entre janeiro e agosto de 2026.
É dinheiro relevante para as metas fiscais. E é o argumento que o Ministério da Fazenda usou durante todo o período de regulamentação: melhor um setor monitorado, que paga imposto, do que um mercado clandestino que não paga nada.
O que a proibição custa
Do outro lado da conta: o governo estimou, na exposição de motivos da MP, redução de receitas tributárias e de taxas de fiscalização. Não é pouco. O setor era, até setembro, um dos que mais cresciam na arrecadação federal.
E há o custo que não aparece em planilha: 3.500 demissões diretas em duas semanas, 4.167 pessoas em férias coletivas, dezenas de milhares de empregos em risco na cadeia inteira. O retrato está em quem trabalhou em bet e agora explica isso na entrevista.
O que os números não respondem
A pergunta que fica não é econômica. É social.
Se R$ 62,5 bilhões saíam do orçamento das famílias todo ano, e o mercado legal foi fechado, esse dinheiro parou de sair? Ou apenas mudou de endereço?
O Ministério da Justiça afirma que o bloqueio de site é acompanhado de outras medidas. Servidores ouvidos pela imprensa dizem, sob reserva, que derrubar domínio sem asfixiar financeiramente o cassino é enxugar gelo. E o próprio levantamento da Folha, no início de outubro, mostrou que a circulação de links clandestinos ficou estável — nem explodiu, nem desapareceu.
O dado que todo mundo esquece
Uma pesquisa Datafolha mostrou que 78% dos brasileiros apoiam a proibição, contra 18% contrários. O apoio é majoritário em todos os segmentos pesquisados. Entre mulheres, 82%.
Ou seja: a medida é popular. Muito popular. O que não significa que ela seja eficaz, e não significa que o problema tenha acabado. Significa que, politicamente, ela veio para ficar por um tempo.
Quanto o brasileiro apostou em 2025?
R$ 220 bilhões movimentados, cerca de R$ 600 milhões por dia.
Isso é prejuízo?
Não. Movimentação inclui idas e voltas. O prejuízo estimado é de R$ 62,5 bilhões no orçamento das famílias.
O governo perdeu arrecadação?
Sim. A própria exposição de motivos da MP reconhece redução de receita tributária.
A proibição é impopular?
Não. 78% dos entrevistados pelo Datafolha apoiam a medida.